Entenda os impactos no fluxo de caixa, na tributação e como se organizar para não comprometer lucro e patrimônio.
Em 2026, o Brasil inicia uma das maiores transformações do seu sistema tributário das últimas décadas.
Depois de quase 30 anos de debates, foi aprovada a Reforma da Tributação sobre o Consumo, que começou sua fase de implementação no dia 1º de janeiro de 2026. Trata-se de uma mudança estrutural que substitui o modelo anterior, marcado por elevada complexidade, por um sistema mais moderno, inspirado no IVA (Imposto sobre valor agregado).
Mais do que uma alteração técnica, essa reforma muda a lógica de funcionamento da tributação no país. E isso impacta diretamente decisões empresariais, formação de preço, fluxo de caixa e planejamento estratégico.
Por que a reforma aconteceu?
A reforma tributária surgiu como resposta a um sistema considerado excessivamente complexo e fragmentado. O modelo anterior era composto por cinco tributos principais sobre o consumo: IPI, PIS, COFINS, ICMS e ISS. O país convivia com legislações estaduais distintas, milhares de legislações municipais e um dos maiores volumes de contencioso tributário do mundo.
Um ponto importante: ela foi desenhada para ser neutra do ponto de vista arrecadatório. Isso significa que, em média, o novo modelo não deve arrecadar mais do que o sistema antigo arrecadou entre 2012 e 2021.
O que muda na prática?
Os cinco tributos anteriores serão substituídos por três novos:
- CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) — federal;
- IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) — estadual e municipal;
- Imposto Seletivo (IS) — aplicado a produtos considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente.
O modelo adotado é o chamado IVA dual, no qual CBS e IBS possuem a mesma base de incidência, mas com arrecadações destinadas a entes diferentes. Em 2026, as alíquotas são simbólicas — 0,9% para a CBS e 0,1% para o IBS — pois este primeiro ano funciona como fase de adaptação. A transição completa se estenderá até 2033. A alíquota final estimada para o modelo completo gira em torno de 28%, ainda sujeita a ajustes conforme o processo de regulamentação evolui.
Outro ponto relevante é o chamado split payment, um mecanismo que direciona automaticamente ao fisco a parcela do imposto no momento em que a operação é paga, em vez de esse valor permanecer temporariamente com o fornecedor. A intenção é trazer mais transparência e segurança ao sistema, reduzindo fraudes e tornando a arrecadação mais eficiente. Na prática, esse modelo também altera a dinâmica do fluxo financeiro das empresas, que passam a exigir ainda mais organização e previsibilidade na gestão de caixa.
A reforma também adota o princípio da tributação no destino, o que significa que o imposto será recolhido onde o bem ou serviço é consumido e não mais onde é produzido. Essa mudança busca encerrar a chamada guerra fiscal entre estados, que por muitos anos influenciou decisões empresariais e a localização de operações no país.
O que esperar dos impactos econômicos?
Estudos indicam que reformas semelhantes, em outros países, aumentaram produtividade e crescimento econômico no médio prazo. Os principais ganhos esperados incluem:
- redução de custos de conformidade;
- maior segurança jurídica;
- eliminação de distorções;
- melhoria na alocação de recursos;
- desoneração completa das exportações.
A expectativa é que, ao longo da transição, o ambiente de negócios se torne mais previsível e eficiente.
Um novo momento para decisões estratégicas
A reforma não resolve todos os desafios do sistema tributário brasileiro, outras discussões ainda estão em curso, como a tributação sobre renda e patrimônio. Mas ela representa um passo relevante na modernização institucional do país. Para empresários e líderes, o momento é de compreensão e planejamento. Mudanças estruturais costumam gerar dúvidas no início, mas também criam oportunidades para quem se prepara, revisa seus processos e organiza sua estratégia com antecedência.
Assista ao episódio completo: https://youtu.be/JzmiOFUSO94